A estrada atravessava agora um campo aberto, e ocorreu-me a idéia - não igual à guisa de protesto, não como um símbolo ou qualquer coisa no gênero, mas apenas como uma experiência nova - de que, tendo violado todas as leis humanas, bem poderia também transgredir as regras de trânsito. Cruzei então para o lado esquerdo da estrada e verifiquei que achava aquilo ótimo. Alguma coisa parecia estar se derretendo deliciosamente à altura de meu diafragma, juntamente com digusos reflexos tácteis, tudo isso acentuado pelo pensamento de que nada poderia estar mais próximo da eliminação das leis fundamentais da físiac do que dirigir no lado errado da estrada. De certa forma, era uma experiência genuinamente espiritual. Suavemente, sonhadoramente, sem jamais passar de trinta quilômetros por hora, segui pela esquerda como se o mundo estivesse se vendo no espelho.
*
"Tem certeza que não vem comigo? Não há nenhuma esperança de que possa vir? Só me diz isso.""Não", ela respondeu. "Não, meu querido. Não."Ela nunca havia me chamado de querido."Não", repetiu, "não há a menor chance disso. Eu preferia voltar para o Quil. QUer dizer..."Lutou para encontrar as palavras, que eu forneci mentalmente ("Ele partiu meu coração, VOCÊ apenas destruiu a minha vida").
*
"Tchau!", ela cantou, meu doce amor americano, minha amada imortal, minha amada morta. Porque, se você está lendo isto, ela está morta e tornou-se imortal, segundo o acordo que fiz com as chamadas autoridades.No momento em que arranquei, ouvi que ela chamava seu Dick com um grito vibrante; o cachorro começou a correr e a saltitar ao lado do carro, como um gordo golfinho, mas, velho e pesado, logo desistiu.E me encontri só, dirigindo através da garoa do dia que agonizava, com os limpadores de pará-brisa em plena ação, embora incapazes de lidar com minhas lágrimas.
Retirados do livro Lolita
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Anônimo
melhor perder as esperanças do que continuar com elas.
*
On really romantic evenings of self, I go salsa dancing with my confusion
*
Eu tento andar mas quando
Alguém aparece me perco
*
mas vamos deixá-los e seguir pela cidade. podemos andar sob estes telhados sem apanhar sereno
*
Sobre a mesa uma pasta, uma bolsa, um guarda-chuva preto (e um céu que não queria chover), adoçante, açúcar (esqueceste de pedir o mascavo), sorrisos largos, uma bandeja "suicida", uma fatia gigantesca de torta (que tu juraste que não comeria inteira), um café com leite, um expresso duplo, pequenos goles, grandes planos. e quatro mãos que matavam a saudade.
- um dia, casa comigo?
- caso.
*
Ponho-me a escrever teu nome com letras de macarrão.No prato, a sopa esfria, cheia de escamas e debruçados na mesa todos completam esse romântico trabalho.Desgraçadamente falta uma letra,uma letra somente para acabar teu nome!
- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!
Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar."
*
escrevi que toda minha vida convergia para ele e que era só dele que iria se irradiar de hoje em diante. Quero te dizer também que nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, é que a vida, o mundo dobra-se sempre ás novas decisões.
*
dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes.
*
talvez um dia você vá ficar sozinha no meio da chuva, como uma sombrinha
*
A noite estava putamente clara iluminando seus rostos com um azul cinema e a brisa fazia o cheiro dele penetrar na carne dela. cansados de tanto correr com os pés afundados de areia fina, fugindo dos sentimentos, das emoçoes, do cansaço, da indiferença, do esquecimento, eles caem.
*
não é amor, é a dopamina, feniletilamina, epinefrina, norepinefrina, oxitoxina, serotonina e as famosas endorfinas. o amor é causado por um fluxo de substâncias químicas fabricadas no corpo da pessoa apaixonada. amor é matéria de escola, são muitos nomes? sem eles não se apaixonaria. a ação de algumas dessas substâncias é parecida à ação dos narcóticos, o que explica de certa forma a oscilação entre sentimentos contraditórios como euforia e depressão. característica comum a drogados e apaixonados. mas como toda droga, com o passar do tempo o organismo vai se acostumar e adquirir resistência à essas substâncias, precisando de doses cada vez maiores para provocar o mesmo frenesi do inico da paixão. após três ou quatro anos de delírio a paixão já se esvaceu por completo, nesse estágio, bye, bye. alguns cientistas afirmam que você não poderia ficar apaixonado por muito tempo, afinal morreria de tanta adrenalina.
*
On really romantic evenings of self, I go salsa dancing with my confusion
*
Eu tento andar mas quando
Alguém aparece me perco
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mas vamos deixá-los e seguir pela cidade. podemos andar sob estes telhados sem apanhar sereno
*
Sobre a mesa uma pasta, uma bolsa, um guarda-chuva preto (e um céu que não queria chover), adoçante, açúcar (esqueceste de pedir o mascavo), sorrisos largos, uma bandeja "suicida", uma fatia gigantesca de torta (que tu juraste que não comeria inteira), um café com leite, um expresso duplo, pequenos goles, grandes planos. e quatro mãos que matavam a saudade.
- um dia, casa comigo?
- caso.
*
Ponho-me a escrever teu nome com letras de macarrão.No prato, a sopa esfria, cheia de escamas e debruçados na mesa todos completam esse romântico trabalho.Desgraçadamente falta uma letra,uma letra somente para acabar teu nome!
- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!
Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar."
*
escrevi que toda minha vida convergia para ele e que era só dele que iria se irradiar de hoje em diante. Quero te dizer também que nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, é que a vida, o mundo dobra-se sempre ás novas decisões.
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dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes.
*
talvez um dia você vá ficar sozinha no meio da chuva, como uma sombrinha
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A noite estava putamente clara iluminando seus rostos com um azul cinema e a brisa fazia o cheiro dele penetrar na carne dela. cansados de tanto correr com os pés afundados de areia fina, fugindo dos sentimentos, das emoçoes, do cansaço, da indiferença, do esquecimento, eles caem.
*
não é amor, é a dopamina, feniletilamina, epinefrina, norepinefrina, oxitoxina, serotonina e as famosas endorfinas. o amor é causado por um fluxo de substâncias químicas fabricadas no corpo da pessoa apaixonada. amor é matéria de escola, são muitos nomes? sem eles não se apaixonaria. a ação de algumas dessas substâncias é parecida à ação dos narcóticos, o que explica de certa forma a oscilação entre sentimentos contraditórios como euforia e depressão. característica comum a drogados e apaixonados. mas como toda droga, com o passar do tempo o organismo vai se acostumar e adquirir resistência à essas substâncias, precisando de doses cada vez maiores para provocar o mesmo frenesi do inico da paixão. após três ou quatro anos de delírio a paixão já se esvaceu por completo, nesse estágio, bye, bye. alguns cientistas afirmam que você não poderia ficar apaixonado por muito tempo, afinal morreria de tanta adrenalina.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Wilde, Oscar
Se alguém diz a verdade, pode estar certo de que será descoberto, mais cedo ou mais tarde.
*
O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror.
*
Cinismo consiste em ver as coisas como elas são, não como deveriam ser.
*
A única diferença entre um simples capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais.
*
Uma coisa não se torna necessariamente verdadeira por alguém morrer por ela.
*
A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder a ela.
*
Quando as pessoas concordam comigo eu sempre sinto que devo estar errado.
*
Enviei minha alma através do invisivel para soletrar alguma carta deste pós vida, mas de repente ela voltou para mim e respondeu: eu mesma sou o céu eo inferno.
*
Ser natural é a mais dificil das poses.
*
Se você não demorar muito posso esperá-lo por toda a minha vida.
*
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquetipo qualquer, mas pela pupila... Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante... A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos... Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo(...).
*
(...)a sociedade, por meio da maquinaria, fornecerá o que é útil; o que é belo será criado pelo individuo.
*
Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada.
*
I am so clever that sometimes I don't understand a single word of what I am saying.
(eu sou tão esperto que as vezes não entendo um palavra do que eu estava dizendo)
*
O mais terrível não é termos nosso coração partido (pois corações foram feitos para serem partidos), mas sim, transformar nossos corações em pedra.
*
Eu chorei todos os dias na mesma hora e por todos os tempos.
*
Definir é limitar.
*
- Porque influenciar uma pessoa é dar a ela a propria alma. Ela passa a não pensar com os pensamentos naturais. As virtudes que possui deixam de ser; para elas, reais. Os pecados que comete, se é que existem pecados, são todos tomados por empréstimo. Ela se torna eco da música de outrem, ator um de papel nao escrito para ela.
*
amar é exceder-se a si mesmo
*
Sou bem pobre ao pé dele. Pobre? Que importa! Quando a pobreza se esgueira pela porta, com um golpe de asa, o amor entra pela janela. Mas, quem será que há de dar um pouco de atualidade aos nossos velhos provérbios? Fizeram-nos no inverno e agora é verão. Que digo? Pra mim é primavera
*
O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror.
*
Cinismo consiste em ver as coisas como elas são, não como deveriam ser.
*
A única diferença entre um simples capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais.
*
Uma coisa não se torna necessariamente verdadeira por alguém morrer por ela.
*
A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder a ela.
*
Quando as pessoas concordam comigo eu sempre sinto que devo estar errado.
*
Enviei minha alma através do invisivel para soletrar alguma carta deste pós vida, mas de repente ela voltou para mim e respondeu: eu mesma sou o céu eo inferno.
*
Ser natural é a mais dificil das poses.
*
Se você não demorar muito posso esperá-lo por toda a minha vida.
*
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquetipo qualquer, mas pela pupila... Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante... A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos... Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo(...).
*
(...)a sociedade, por meio da maquinaria, fornecerá o que é útil; o que é belo será criado pelo individuo.
*
Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada.
*
I am so clever that sometimes I don't understand a single word of what I am saying.
(eu sou tão esperto que as vezes não entendo um palavra do que eu estava dizendo)
*
O mais terrível não é termos nosso coração partido (pois corações foram feitos para serem partidos), mas sim, transformar nossos corações em pedra.
*
Eu chorei todos os dias na mesma hora e por todos os tempos.
*
Definir é limitar.
*
- Porque influenciar uma pessoa é dar a ela a propria alma. Ela passa a não pensar com os pensamentos naturais. As virtudes que possui deixam de ser; para elas, reais. Os pecados que comete, se é que existem pecados, são todos tomados por empréstimo. Ela se torna eco da música de outrem, ator um de papel nao escrito para ela.
*
amar é exceder-se a si mesmo
*
Sou bem pobre ao pé dele. Pobre? Que importa! Quando a pobreza se esgueira pela porta, com um golpe de asa, o amor entra pela janela. Mas, quem será que há de dar um pouco de atualidade aos nossos velhos provérbios? Fizeram-nos no inverno e agora é verão. Que digo? Pra mim é primavera
Medeiros, Martha
não faz diferença
se você vem amanhã
ou não vem
desisti de esperar
por alguém
cuja ausência
me faz companhia
*
você é os brinquedos que brincou, você é o que você chora, a infância que você recorda, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo, a ardência, você é a estrada por onde atalha e busca e foge e serpenteia, você é o pêlo do braço que eriça, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda, você é o que você queima, você é o que ninguém vê.
[adaptado por Cecília]
se você vem amanhã
ou não vem
desisti de esperar
por alguém
cuja ausência
me faz companhia
*
você é os brinquedos que brincou, você é o que você chora, a infância que você recorda, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo, a ardência, você é a estrada por onde atalha e busca e foge e serpenteia, você é o pêlo do braço que eriça, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda, você é o que você queima, você é o que ninguém vê.
[adaptado por Cecília]
domingo, 11 de novembro de 2007
Bright Eyes
i'm happy just because
i found out i am really no one
*
think i was blind before i met you
*
You write such pretty words
But life's no storybook
Love's an excuse to get hurt
And to hur
tDo you like to hurt?
I do, I do
Then hurt me
i found out i am really no one
*
think i was blind before i met you
*
You write such pretty words
But life's no storybook
Love's an excuse to get hurt
And to hur
tDo you like to hurt?
I do, I do
Then hurt me
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Jojô
A vida poderia ser divida(em várias partes, eu sei, mas não falo das outras e sim de..) em duas partes: A primeira em uma que tu passa parte do tempo livre tentando achar sentido em tudo. No amor, na música que te faz chorar escondido no quarto, no porque um mangolão se da bem na vida e você é um fudido. A segunda é a parte que tu percebe que tu passou a primeira parte da tua vida fazendo exatamente o que não deveria.
*
Levei até certo ponto. Dai ela tava começando a ficar branca e eu pensei "melhor eu lembrar dela vermelha"
*
Levei até certo ponto. Dai ela tava começando a ficar branca e eu pensei "melhor eu lembrar dela vermelha"
terça-feira, 6 de novembro de 2007
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Nunes, Débora
e aí eu fiquei pensando que odeio tudo isso de não saber o que que foi
e o que que vai ser e o que que é passado e o que que é presente e se
não existe futuro e se se ignorar na parada de ônibus e tão ruim que
daí qualquer coisa vai ficar me lembrando de como eu devia ter falado
contigo ou de como eu queria olhar pros lados nas paradas de ônibus ou
de como eu devia tomar alguma decisão que não.
e o que que vai ser e o que que é passado e o que que é presente e se
não existe futuro e se se ignorar na parada de ônibus e tão ruim que
daí qualquer coisa vai ficar me lembrando de como eu devia ter falado
contigo ou de como eu queria olhar pros lados nas paradas de ônibus ou
de como eu devia tomar alguma decisão que não.
fô?
Não sei bem o que é, mas há algo presente em cada centímetro do teu sorriso que me dá vontade de chutar a porta que dá pra rua e sair correndo, sem saber onde fica a minha casa. Há algo que me priva de usar todas as artimanhas que eu colecionei, que me faz esquecer todas as minhas frases de efeito e que faz com que tudo que eu faça/diga pareça de uma imbecilidade infantil. Não sei bem o que é, mas há algo presente em cada palavra que tu me apontas, que sopra em meu ar essas bolhas de sabão. A trajetória dessas pequenas bolsas de ar é tão imprevisível, tão frágil, que eu fico com medo de tocá-las.E são tantas, essas bolhas, que eu não sei atrás de qual delas eu vou correr. Aí eu fico parada, te não-ouvindo, te não-olhando e, sempre, invariavelmente, não
sorrindo. O não saber o que fazer.
sorrindo. O não saber o que fazer.
Bitencourt Martins, Luisa
Poderia ter dito que ainda via ela como antes, ainda sentia seu cheiro quando chove, que vive pensando nela, que as pessoas não tem mais a mesma cor, que não consegue mais comer sorvete porque o gosto ficou amargo, e existem dias que parecem que nem existem só pelo sentimento da distância, que na verdade é inventada. Mas ao invés disso segurou com força o telefone e terminou a conversa.
Kundera, Milan
Para Tereza, o livro era o sinal de reconhecimento de uma fraternidade secreta. Contra o mundo de grosseria que a cercava, não tinha efetivamente senão uma arma: os livros que pedia emprestados na biblioteca municipal: sobretudo os romances: lia-os em quantidade, de Fielding a Thomas Mann. Eles não só lhe ofereciam a possibilidade de uma evasão imaginária, arrancado-a de uma vida que não lhe trazia nenhuma satisfação, mas tinham também para ela um significao como objeto: gostava de passear na rua com um livro debaixo do braço. Eram para ela aquilo que uma elegante bengala era uma um dândi do século passado. Eles a distinguiam dos outros.
*
Franz notou que sua mãe estava com sapatos descasados. Ficou confuso, quis avisá-la, temendo ao mesmo tempo magoá-la. Ficou com ela duas horas pelas ruas sem poder despregar os olhos dos seus pés. Foi então que começou a ter uma vaga idéia do que significava sofrer.
*
O drama de uma vida pode sempre ser explicado pela metáfora do peso. Dizemos que temos um fardo sobre os ombros. Carregamos esse fardo, que suportamos ou não. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. O que precisamente aconteceu com Sabina? Nada. Deixara um homem porque quis deixá-lo. Ele a persiguira depois disso? Quis vingar-se? Não. Seu drama não era de peso, mas de leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.
*
Olhavam para ela e repetiam para si mesmos que Karenin sorria, e que, enquanto sorrisse, teria ainda uma razão para viver, mesmo estando condenada.
retirados do livro A Insustentável Leveza do Ser
*
Franz notou que sua mãe estava com sapatos descasados. Ficou confuso, quis avisá-la, temendo ao mesmo tempo magoá-la. Ficou com ela duas horas pelas ruas sem poder despregar os olhos dos seus pés. Foi então que começou a ter uma vaga idéia do que significava sofrer.
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O drama de uma vida pode sempre ser explicado pela metáfora do peso. Dizemos que temos um fardo sobre os ombros. Carregamos esse fardo, que suportamos ou não. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. O que precisamente aconteceu com Sabina? Nada. Deixara um homem porque quis deixá-lo. Ele a persiguira depois disso? Quis vingar-se? Não. Seu drama não era de peso, mas de leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.
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Olhavam para ela e repetiam para si mesmos que Karenin sorria, e que, enquanto sorrisse, teria ainda uma razão para viver, mesmo estando condenada.
retirados do livro A Insustentável Leveza do Ser
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